Jornal Correio do Estado - O Jornal que todo Mundo lê

Notícias - Segurança

Formação de PMs muda após greve

01 de Fevereiro de 2018 Autor: Lorena M. Giordina, da ADI-ES

Divulgação Formação de PMs muda após greve Sob o comando do coronel Nylton Rodrigues, a PM ganhou investimentos de R$ 40 milhões em viaturas, equipamentos, armamentos e munições

Novos policiais vão passar por uma transição da vida civil para a carreira militar. Coronel Nylton Rodrigues faz balanço da greve

 

Um ano depois da greve da Polícia Militar, que começou no dia 3 fevereiro de 2017, deixando 219 mortos, em 22 dias de crimes em todo o Espírito Santo, a Corporação passou por mudanças e investe em formação dos policiais, que agora passam por treinamentos de um ano e 10 meses, ao invés dos cinco meses de curso que tinham antes.

Sob o comando do coronel Nylton Rodrigues, a PM ganhou investimentos de R$ 40 milhões em viaturas, equipamentos, armamentos e munições. "Mandamos dois majores para testarem as armas novas nos Estados Unidos, compramos fuzis de fabricação americana da marca Colt, modelo M4, calibre 5.56mm , e estamos em processo de licitação internacional para a compra da melhor pistola do mundo", afirmou o comandante geral da PM.

A formação dos soldados mudou. Os novos PMs ficam cinco meses em treinamento na academia e mais um ano em estágio supervisionado dentro dos Batalhões da Grande Vitória. Para o comandante, é preciso que o civil passe por uma imersão antes de se tornar um militar.  "A PM é uma instituição militar e tem como base a disciplina, a hierarquia, e a obediência às regras, respeito aos subordinados, pares e superiores. Temos valores muito fortes, que o pessoal que vem do civil precisa de tempo para absorver esses valores", destacou.

 

Concurso

Este ano haverá novo concurso com 310 vagas para a Polícia Militar, que de acordo com o comandante tem tido cada vez mais candidatos qualificados, com ensino superior. No entanto, a principal característica do novo policial militar ainda é a vocação. "Queremos um profissional motivado. Colocamos nossas vidas em risco todos os dias. A profissão de policial requer vocação. O candidato ideal é vocacionado. Ser PM é trabalhar pela sociedade, para o povo, se sentir honrado em proteger as pessoas", falou.

 

Entrevista

 

Associação dos Diários do Interior – ADI: Um ano após a greve qual o balanço da Polícia Militar?

Comandante Nylton Rodrigues - A reivindicação é válida, os policias precisam ser bem tratados, valorizados. Mas a forma como a greve começou estava errada, eu não posso abandonar uma sociedade para reivindicar melhores salários prejudicando as pessoas. A greve começou sem uma assembleia, um grupo de pessoas com interesse pessoais e políticos e tentaram levar toda uma instituição a reboque. Tudo tem a hora e a forma certa. Vivíamos a maior crise econômica do Brasil. Estados vizinhos de Norte a Sul estavam com problemas na folha de pagamento, mesmo com a crise honramos os pagamentos e mantivemos os salários em dia.

 

ADI: Como ficou a saúde dos policiais militares, após a greve? São recorrentes os casos de depressão e foram constatados suicídios também. O que tem sido feito para amparar esses profissionais?

Comandante: Sempre houve no seio das tropas um problema de saúde mental. Todas as polícias enfrentam problemas como a depressão, mas foi constatado que após fevereiro ouve um agravamento. Para isso encontramos um caminho para contratar médicos civis, e hoje em parceria com a SESA (Secretária de Estado da Saúde)  contratamos seis psiquiatras, quatro psicólogos e três assistentes sociais para dar apoio aos policiais. O novo concurso da PM terá vagas para cinco psiquiatras, totalizando 11 médicos. A família e o policial precisam de médicos. Estamos recebendo o prédio do lado do Hospital da Polícia Militar (HPM), onde funcionará o atendimento a saúde mental. Estamos instalando um pronto-socorro dentro do HPM, porque não é justo que nosso PM se envolva em confronto e seja atendido no mesmo local que o bandido. Também estamos anexando vagas de UTI no HPM, e levaremos um ônibus com atendimento médico para os policias do interior, essa foi uma das prioridades do comando.

 

ADI: A greve começou com pedidos de melhora de salários. Há possibilidade dessa melhora?

Comandante: O Espírito Santo sai na frente na crise, e todo o Brasil reconhece isso hoje. Existe sim a expectativa de a reposição salarial acontecer. Mas ela só pode existir quando o Estado consegue pagá-la.

 

ADI: Temos no interior PMs que são lotadas fora da sua cidade de origem, por que? Muito se contesta em relação a eles serem afastados da família.

 

A PM é uma instituição estadual. Estamos presentes em todos os municípios do Estado. Quando ingressamos na PM, nós trabalhamos para o estado do Espírito Santo, assim como que trabalha no exército, trabalha para o País. Nós queremos atender as solicitações daqueles que pedem para serem lotados em suas localidades, mas nós temos demandas, trabalhos 24 horas por dia, de domingo a domingo, e o policial é mandado para onde há mais necessidade.  

 

Mais sobre o concurso

Serão 310 oportunidades, distribuídas em cargos de soldado (250), oficial (30), oficial médico do Hospital da Polícia Militar (20), e músico (10). Para bombeiros, são 120 soldados e 7 oficiais. A remuneração é de R$ 3.272,06 para soldados e R$ 6.716,48 para oficiais. Já estão inclusos a escala extra e o auxílio alimentação.

É necessário ter o nível superior para os oficiais médicos. Os outros cargos requerem nível médio.

O concurso contará com provas objetivas, teste de aptidão física, exame psicossomático, exame de saúde, investigação social e teste toxicológico.

O curso de formação de soldados tem a duração de um ano e 10 meses, sendo dez meses de prática e um ano de estágio supervisionado. Já a formação dos oficiais é de três anos e um de estágio probatório. É bom lembrar que os oficiais saem da academia com uma formação de nível superior.

 

Os últimos concursos para soldado e oficial foram lançados em 2013. Já o Corpo de Bombeiros teve o último edital publicado no final de 2010.



    Comentários (0) Enviar Comentário