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Consumo de crack é realidade no interior do Estado

18 de Outubro de 2017 Autor: Guto Netto/ADI-ES

Consumo de crack é realidade no interior do Estado

Levantamento do Observatório do Crack, da Confederação Nacional dos Municípios (CNM), mostra que o alto consumo de crack está deixando os grandes centros urbanos e está se espalhando pelo interior do Estado. De acordo com o Mapa do Crack, dos 78 municípios capixabas, 18 disseram que é alto o número de problemas ligados ao uso do entorpecente. Todos fora da Região Metropolitana de Vitória.

O Mapa é elaborado de acordo com as respostas que as próprias administrações municipais dão à CNM, classificando o problema como alto, médio ou baixo, de acordo com o nível de sua interferência nas áreas de assistência, educação, saúde e segurança.

Boa Esperança, Pinheiros, Jaguaré, Sooretama, São Mateus, Pancas, Água Doce do Norte, Baixo Guandu, Aracruz, Santa Maria de Jetibá, Ibitirama, Divino São Lourenço, Caparaó, Castelo, Cachoeiro de Itapemirim, Vargem Alta, Muqui, Mimoso do Sul, Bom Jesus do Norte e Marataízes foram os que consideraram alto os problemas relacionados ao crack.

De acordo com o Coordenador do Estado sobre drogas e responsável pela execução do Programa de Valorização à Vida (Pro-vive), Gilson Giuberti Filho, o problema é maior no norte e noroeste capixaba devido ao baixo Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) desses municípios. “Região com baixo IDH e com uma densidade baixa de equipamentos disponíveis, seja social ou de saúde, já que os municípios estão com sérios problemas de caixa”, avaliou. Nessas regiões, complementou o coordenador, é grande o número de judicialização de pedido de internação.

“Na maioria das vezes, cerca de 90% dos casos de internação compulsória, conseguimos transformar em atendimento ambulatorial. A família procura a justiça em uma situação de desespero”, contou Giuberti.

Para reduzir o número de internações compulsórias e tornar o atendimento aos usuários mais resolutivos, o governo do Estado, através da Coordenadoria, está implementando o Pró-Vive Virtual. Pelo projeto, o governo do Estado irá auxiliar o atendimento nos municípios através de videoconferência e transferência eletrônica de documentos, evitando assim, deslocamentos até a Grande Vitória, onde é feito o atendimento atualmente.

Por ter uma realidade mais urgente, municípios do norte e noroeste terão acesso ao Pró-Vive virtual em um primeiro momento e, em seguida, será expandido para todo o Estado. 

Nível Médio

Trinta e duas cidades declararam ter um nível médio de problemas, enquanto outras 16 afirmam ter um nível baixo e 11 não responderam à CNM. Apenas Dores do Rio Preto diz não enfrentar nenhuma dificuldade.

Um dos fatores para a interiorização dos traficantes é, segundo Giuberti, a fuga de pontos de grande concentração policial. “A internet tem levado tudo quanto é informação para o interior e traficantes buscam o interior fugindo de regiões visadas como a Grande Vitória por ter um policiamento mais ostensivo, principalmente em regiões de fronteira, para fazer com que as drogas passem de um estado para outro. Tudo isso, somado à falta de equipamentos para atender aos usuários transforma esse cenário em uma realidade ainda pior”.

 

De acordo com a Secretaria de Estado de Saúde (Sesa), para internação de curta permanência, o Espírito Santo conta com 35 leitos no Centro de Atendimento Psiquiátrico Dr. Aristides Alexandre Campos (CAPAAC), em Cachoeiro de Itapemirim; e 40 leitos no Hospital Estadual de Atenção Clínica (HEAC), em Cariacica. Além desses, há outros 12 leitos credenciados, no Sul do Estado, em hospitais filantrópicos e em um hospital da rede estadual. Esses leitos servem para internações de curta permanência, ou seja, de dois a três meses, isso quando o quadro do paciente é grave. Nesses leitos, são atendidos pacientes em surto, seja por descompensação do quadro psiquiátrico ou por crise de abstinência por uso abusivo de álcool ou outras drogas. “Isso é mais do que suficiente. Parece uma quantidade pequena, mas não há filas para utilização dessas vagas”, disse Giuberti.

FOTO: REPRODUÇÃO/GOOGLE



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