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Psicóloga orienta pais a identificar sinais de violência sexual em crianças

27 de Maio de 2017 Autor:

Psicóloga orienta pais a identificar sinais de violência sexual em crianças

Caroline Pereira

 

O caso da menina Fabiane Isadora, de 2 anos, que foi abusada, torturada e morta pelo padrasto – achado pela polícia numa caçamba de lixo na semana passada em Viana (ES) – reacendeu os debates sobre a violência contra a criança que, infelizmente, ainda é pouco denunciada no Brasil – principalmente a sexual. Dados da Fundação das Nações Unidas para a Infância (Unicef) apontam que, a cada hora, cinco casos de violência contra meninas e meninos são registrados no País. Esse número pode ser ainda maior, já que muitos crimes nunca chegam a ser denunciados.

 

A titular da Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente de Linhares, delegada Suzana Garcia, registrou 35 ocorrências de estupro de vulnerável (menor de 14 anos) em 2016 e até abril deste ano já foram 11 ocorrências. Esses números, na visão da delegada, são preocupantes. 

 

Suzana ressalta que os casos que envolvem estupro de vulnerável tramitam com prioridade, tanto na delegacia de polícia quanto no judiciário. O réu, que pode ser condenado a uma pena de 8 a 15 anos de prisão, normalmente é uma pessoa que convive com a criança, como padrasto, pai, tio, vizinho, entre outros, conforme informou a delegada. 

 

As crianças que sofrem violência, principalmente a sexual, costumam omitir esse fato da família em boa parte dos casos, dificultando ainda mais o acesso das autoridades aos registros desse crime e impedindo o envolvimento de pais, responsáveis e educadores no tratamento psicológico do menor. “Qualquer tipo de violência é carregada de vergonha e tabu, principalmente a sexual”, conta a psicóloga Ana Maria Magesky. 

 

Segundo a especialista, a criança, além de sentir-se envergonhada, acredita que pode causar uma ruptura familiar se relatar o fato à família. “Também há um sentimento de medo em perder a estabilidade afetiva (medo de abandono). E em boa parte dos casos, a criança ainda é ameaçada e chantageada [pelo abusador] para não contar o fato”, alerta. 

 

Combate e prevenção 

 

Além de denunciar os casos de agressão ao Disque Denúncia (181) e/ou acionar o conselho tutelar da cidade e a polícia, os pais, responsáveis e até educadores devem estar sempre atentos ao comportamento da criança, pois qualquer mudança de humor ou hábito pode ser indício de algum tipo de violência, conforme orienta Ana Maria. “Os primeiros sinais costumam aparecer quando a criança se isola do contexto que normalmente lhe era familiar antes da agressão. Sinais de medo, apreensão, irritabilidade, ansiedade, ódio, baixa autoestima, distúrbio do sono e da alimentação, culpa, vergonha, problemas de aprendizagem e até mesmo depressão podem aparecer”, relata. 

 

Se for constatado que a criança sofreu alguma violência, a psicóloga orienta a família a afastar a vítima do agressor e, em seguida, procurar ajuda de um profissional. “É importante lembrar que diante do desespero, a família deve ter cautela para não submeter a criança a uma investigação, a fim de não constrangê-la. Ela deve ser acolhida no ambiente em que se sinta segura, ouvida e amparada afetivamente”, recomenda. 

 

Mesmo assim, os pais podem tentar combater esse problema antes mesmo que o filho (a) seja mais uma vítima da violência.

Dentre os conselhos que Ana Maria dá, ela diz que um diálogo aberto entre pais e filhos pode fortalecer os vínculos e ajudar os membros da família a perceber qualquer ameaça. “Deve-se também falar, sem tabu, sobre assuntos que envolvem a sexualidade, desde a idade pré-escolar. Os pais precisam esclarecer as diferenças entre o que é carinho e carícia sexual. Explique à criança que o corpo dela precisa ser cuidado, que ela deve ser cuidadosa e desconfiar se alguém tenta tocá-la, inclusive nas partes íntimas”. E completa: “O velho ensinamento de não aceitar convite por dinheiro, presente ou agrado, de quem a criança conhece ou não, para fazer ‘coisas’ com o corpo, é fundamental”. 



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