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Cai o número de homicídios no Espírito Santo

30 de Outubro de 2017 Autor: Guto Netto/ADI-ES

Cai o número de homicídios no Espírito Santo

O Fórum Brasileiro de Segurança Pública divulgou o Anuário Brasileiro de Segurança Pública com dados relativos a 2016. De acordo com a publicação, o Espírito Santo reduziu em 15,7% o número de homicídios e em 41,4% o número de mulheres assassinadas, vítimas de violência doméstica.

Para o secretário de Estado de Segurança Pública e Defesa Social, André Garcia, o resultado é fruto de uma atuação coletiva entre as forças de segurança e a sociedade. “Não é para comemorar. Mas e bom registrar que esse trabalho intensivo e integrado de enfrentamento dos homicídios é um trabalho da sociedade capixaba. Esse é um processo que vinha acontecendo nos últimos anos. Há um conjunto com foco claro e definido na redução dos homicídios que levaram o Estado a esse resultado. O mais importante é que saímos das primeiras páginas.”

Na edição anterior do anuário, o Espírito Santo estava na 10ª colocação no ranking de homicídios no país. Este ano, caiu cinco posições e agora é o 15º  com 1.180 ocorrências registradas no ano passado, estando próximo da média nacional, com 29,7 casos a cada 100 mil habitantes. Nacionalmente, são 26.4 homicídios a cada 100 mil habitantes. 

Feminicídios

Outro dado positivo foi a redução do número de mulheres brutalmente assassinadas no Estado. Em 2015, foram 58 feminicídios, enquanto que no último ano, o Espírito Santo registrou 34 casos. “O governo tem chamado atenção para essa questão que vai além das estratégias policiais. Todos os casos de feminicídios nós estamos esclarecendo. Ou seja, há uma mensagem muito forte contra a impunidade. Mas é fundamental que haja a participação de todos, porque precisamos evitar os casos de violência doméstica e familiar contra a mulher”, destacou Garcia, lembrando que em anos anteriores, o Estado figurava como o que mais matava mulheres e, agora, “saímos dos top cinco”, chegando à sexta colocação no ranking nacional. 

Outros crimes

Em uma realidade diferente, o Anuário apontou um crescimento no número de latrocínios, que é o roubo seguido de morte. Para o secretário de segurança, o aumento do número de crimes contra o patrimônio está intimamente ligado à crise econômica nacional. De 2015 para 2016, o Espírito Santo registrou um crescimento de 41,7% os casos de latrocínio, saltando de 37 para 53.

“Na questão do crime contra o patrimônio eu acredito que há um elemento que não podemos desconsiderar que é a crise econômica. Isso tem impacto também no crime. Estamos revendo nossas estratégias para enfrentar essa questão porque a mancha criminal do latrocínio que é diferente dos homicídios. Mudando a estratégia para aumentar a presença policial e a investigação desses casos para coibir e inibir futuras condutas delituosas”, disse.

Outro crime que também cresceu no Estado e preocupa o secretário é o tráfico de drogas que, para ele é um problema nacional, visto que ultrapassa as fronteiras dos estados e a apreensão de entorpecentes não chega, segundo ele, nem a 20%.

“O número de ocorrências aumenta a medida as abordagens aumenta, a medida que o trabalho da polícia ostensiva aumenta. Tenho dito que nossa operações tem dois focos: prisão de homicidas contumazes – e por isso da redução dos homicídios – e prisões de traficantes, indivíduos que estão financiando o tráfico, recebem muitos recursos em função disso e são alimentados, infelizmente, pelo uso. Não há tráfico de drogas sem usuário, sem consumidor”, pontuou, chamando a atenção da necessidade de uma batalha multidisciplinar.

“Precisamos tratar essa questão não somente pelo ponto de vista policial mas também sob o ponto de vista, mais importante até para as famílias, da prevenção, impedindo que nossos jovens entrem nesse mundo que é difícil de sair e, para quem entrou nesse mundo, um tratamento digno para que esse cidadão consiga se recuperar e não financie a atividade ilícita.”

No início de outubro, o Mapa do Crack, elaborado pelo Observatório do Crack, da Confederação Nacional dos Municípios (CNM), apontou uma interiorização muito forte do tráfico de drogas, o que para Garcia é urgente nas ações de combate ao crime. “A interiorização do tráfico de drogas, há muito tempo acontece e infelizmente não podemos desconsiderar. A medida em que o crime se expandiu, as estruturas do interior do estado demoraram para reagir. Isso não é só aqui, mas no Brasil como um todo. Precisamos reequilibrar esse jogo com estratégia de expandir e melhorar a estrutura, inclusive de investigação desses crimes para tentar reduzir essa questão.” 

Futuro

Para a próxima edição do Anuário, a expectativa de André Garcia é que os resultados sejam piores que os atuais devido à greve da Polícia Militar que, em fevereiro deste ano, paralisou as atividades por 23 dias. “Tivemos um cenário completamente atípico que não há como, por mais esforços que sejam feitos, que a gente consiga recuperar o que foi perdido em fevereiro. Mas a determinação é retomarmos esse processo de redução em 2018”, espera. 

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O secretário de Estado de Segurança Pública e Defesa Social, André Garcia (Foto: reprodução/RSim)



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