Jornal Correio do Estado - O Jornal que todo Mundo lê

Notícias - Saúde

Campanha Setembro Verde estimula a doação de órgãos no Espírito Santo

19 de Setembro de 2017 Autor: Caroline Pereira

Campanha Setembro Verde estimula a doação de órgãos no Espírito Santo

Instituída por uma lei estadual, a campanha Setembro Verde tem o objetivo de intensificar, ao longo deste mês, o debate sobre a importância da doação de órgãos e tecidos para transplante. Só no Espírito Santo, 1.124 pessoas estão na lista de espera por um órgão, segundo dados da Secretaria Estadual de Saúde (Sesa). Entretanto, o índice de recusa das famílias – que é quem autoriza a doação – é o principal empecilho ao avanço dos transplantes.

De acordo com o diretor técnico do Hospital Rio Doce, dr. Ronaldo José de Souza, a média capixaba de doação de órgãos é de 30% - menor que a taxa nacional, que é 40%. “Isso quer dizer que de cada três famílias abordadas, apenas uma autoriza a doação”, informa o médico.

Para ele, a falta de informação sobre o assunto e a ausência de debates acerca do mesmo – especialmente no ambiente familiar – é o que provoca a recusa no momento da abordagem médica. “As famílias ficam sem condições de tomar uma decisão porque não têm conhecimento de qual era o desejo da pessoa falecida”, relata. É por isso que a pessoa, ainda em vida, deve manifestar qual é a sua vontade em relação a uma possível doação de órgãos.

Ainda segundo o dr. Ronaldo, praticamente todos os órgãos são passíveis de doação, e no Espírito Santo os transplantes de rotina mais comuns envolvem córneas, fígado, coração e rim – sendo que esse último possui a maior fila de espera, com 982 pacientes (veja mais informações no Box).

Infelizmente, o total de transplantes realizados no estado no primeiro semestre está abaixo do registrado no mesmo período no ano passado. A diferença chega a 4%, mas em alguns órgãos específicos, como fígado, a queda é de 25%. 

Procedimentos para a doação

Assim que for constatada a morte cerebral de uma pessoa (quando dois médicos de diferentes áreas examinam o paciente, sempre com a comprovação de exames complementares), uma comissão do hospital habilitado para captação de órgãos aborda a família quanto à possibilidade da doação, conforme relata o dr. Ronaldo. Se autorizada, uma equipe de Vitória se desloca até o município em questão e realiza o procedimento.

O médico lembra ainda que existe uma fila de espera para transplantes, que é gerenciada por uma central, e a doação vai beneficiar os pacientes que estão nessa lista. Mais informações podem ser obtidas no site saude.es.gov.br/transplantes 

Moradora de Linhares aguarda transplante de rim há mais de um ano. “Quero voltar a ter uma vida normal”

Dentre as centenas de pessoas que vivem o drama da espera por uma doação de órgão, está a moradora de Linhares Marinete Gomes, 37 anos. Há um ano e um mês, ela vive com a expectativa de conseguir passar por um transplante de rim. Enquanto isso, Marinete precisa fazer hemodiálise três vezes por semana, sendo que cada sessão dura quatro horas.

A paciente conta que sempre sofreu com a pressão alta, mas precisou procurar o hospital quando o problema se agravou. “Minha pressão foi a 23”, relata. “Descobri que um dos rins ‘secou’ e outro já estava parado. Tive alta numa terça-feira e na quarta eu já estava na hemodiálise”, completa.  

Marinete diz que a descoberta do problema, bem como o começo do tratamento, foram etapas difíceis da sua vida. Ela mora com a mãe, os irmãos e os filhos – que ainda não podem fazer testes de compatibilidade para doação por conta da idade, conforme ela relatou.

“Quero voltar a ter uma vida normal. Deixei de fazer muitas coisas, como viajar. Tem alimentos que eu não posso mais comer, como carne, e também não posso beber muita água, pois ela pode ir para o pulmão ou o coração. Sinto falta de ar e cansaço. Não posso nem trabalhar”, declara.

Lista de espera por transplantes no ES

Rim: 982

Fígado: 54

Coração: 6

Córnea: 82

TOTAL     1.124

 

Fonte: Secretaria de Estado da Saúde (Sesa)

FOTO: Marinete Gomes aguarda um transplante de rim há mais de um ano e faz hemodiálise em um hospital de Linhares (Foto: Caroline Pereira)



    Comentários (0) Enviar Comentário