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Advogado vai solicitar que MP entre com recurso contra a libertação de acusado de atropelar professora

02 de Agosto de 2017 Autor: Caroline Pereira

Advogado vai solicitar que MP entre com recurso contra a libertação de acusado de atropelar professora

O advogado Cleylton Mendes Passos, que defende a professora Dulcinéia Leão Coutinho, que foi atropelada no dia 23 de outubro do ano passado, vai solicitar que o Ministério Público (MP) apresente um recurso contra a libertação provisória de César Ferri, acusado pelo crime. “A decisão do recurso cabe ao MP, que é o titular da ação. Nós atuamos como assistentes de acusação do MP neste caso. O que nos cabe, e já estamos providenciando, é requerer que o MP apresente sim o recurso”, afirmou o advogado.

Cleylton ressalta que o objetivo não é recorrer da decisão da justiça de levar o acusado a júri popular que, na visão do advogado, foi bastante positiva. Ele explica que César deixou de responder por um acidente de trânsito, cuja pena poderia ser de, no máximo, quatro anos, para ser julgado por crime de tentativa de homicídio, em que a pena pode chegar a 30 anos.

“Essa foi uma decisão de vanguarda. Poucos juízes consideram um acidente de trânsito como tentativa de homicídio, como é o caso dele [César Ferri]”, declara Cleylton. Ele acrescenta que o acusado, ainda que em liberdade provisória, está proibido de dirigir, de sair de Linhares, entre outras medidas cautelares. 

Repercussão

A soltura, mesmo que provisória do acusado, gerou revolta entre a vítima e seus familiares. “Fiquei decepcionada. Para mim, o mundo desabou, porque na situação em que estou, ainda tinha um pouco de paz por saber que a justiça estava sendo feita, enquanto ele estava preso”, declarou Dulcinéia.

A professora, que perdeu a perna esquerda por conta do atropelamento, ficou impossibilitada de retornar ao trabalho e ainda depende de cuidados médicos. “Não posso ficar muito tempo em pé, porque a perna dói muito, assim como o ombro”, conta. “A população me ajudou na primeira cirurgia, que teve o valor de R$ 13 mil. Se não tivessem me ajudado e eu ficasse esperando conseguir uma vaga em Vitória, eu, com certeza, não estaria andando”, relata a professora, que se locomove com a ajuda de muletas.

Marcos Antônio Leão Coutinho, irmão da professora, diz que ela tem sido uma guerreira e que demonstra muita força durante esse processo de recuperação. Entretanto, Marcos lamentou a soltura do acusado e esperava que o mesmo permanecesse na cadeira até o julgamento.

César Ferri deixou o Centro de Detenção Provisória de Aracruz após a Justiça decidir que ele poderá aguardar o julgamento em liberdade. Ele ficou preso por 10 meses e irá a júri popular, que ainda não tem data definida.

O advogado de César, Júnior Mendonça, alegou que o acusado é réu primário, conta com bons antecedentes criminais e possui residência fixa. 

Relembre o caso

O acidente ocorreu no dia 23 de outubro de 2016, por volta das 4h30, no bairro Interlagos, na Rua Quintino Bocaiuva. Nesse horário, Dulcinéia saía de um bar quando uma caminhonete, em alta velocidade, a atingiu. Ela foi prensada pelo veículo contra o próprio carro e teve a perna esquerda amputada. O amigo dela, Geones Correa, também foi atingido. O motorista da caminhonete fugiu sem prestar socorro.

Dois dias depois, César Ferri confessou o crime e foi preso. Em depoimento à Polícia Civil, ele disse que conduzia o veículo em alta velocidade e que freios da caminhonete estavam danificados. Na época, ele já tinha passagem pela polícia por furto. 



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