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E-commerce se consolida cada vez mais no mercado capixaba

29 de Janeiro de 2018 Autor: Rosi Ronquetti

REPRODUÇÃO/INTERNET E-commerce se consolida cada vez mais no mercado capixaba

Pequenos e grande empresários da região norte do Estado apostam no comércio online para vender ainda mais. Conheça experiências bem-sucedidas e os conselhos de um especialista do setor

O processo de compra e venda existe desde os primórdios, porém, de tempos em tempos se reinventa de acordo com o contexto vivido pela sociedade. Com a era da informação não é diferente, o acesso de milhares de pessoas à internet tem possibilitado uma nova maneira de comprar e vender. Estamos falando do e-commerce, possibilidade de comprar sem sair de casa, pela internet.

Segundo a Associação Brasileira de Comércio Eletrônico (ABCOMM), 25,5 milhões de pessoas fizeram compras pela internet no primeiro semestre de 2017, um crescimento de 7,5% em comparação com o mesmo período no ano anterior, com um faturamento total de R$ 21 bilhões.

E não é preciso ir longe para ver esse processo acontecendo. Há quatro anos, o empresário Leonardo Conti deu os primeiros passos rumo às vendas pela internet. Na época, o empresário já atuava há 40 anos no varejo com a venda de móveis e eletrodomésticos, com várias lojas no Espírito Santo e Bahia. A empresa começou trabalhando a imagem da marca nas redes sociais, e há dois anos, percebendo o crescimento do setor, Leonardo decidiu apostar de vez no e-commerce. Para isso, contratou profissionais e investiu em tecnologia.

Hoje, com a lucratividade da loja online acima das lojas físicas, Leonardo diz que esse é um movimento sem volta, e que segue aprendendo todos os dias. “Trabalhar com e-commerce é desafiador como qualquer outro negócio, mas esse é um movimento sem volta. O consumo online cresce com números imponentes no Brasil e no mundo. E o desafio continua. Estamos estudando esse mercado diariamente, buscando as melhores práticas e aprendendo com quem é referência no mercado”, ressalta Conti.

O especialista em Negócios, Gestão de Marketing e Marketing Digital, Léo Duarte, concorda com Leonardo quando ele diz que esse é um mercado sem volta, e explica os motivos. “No Brasil já existem mais linhas de telefone celular do que habitantes, e grande parte delas com acesso à internet através de smartphones. Isso mostra que a tecnologia está acessível a uma quantidade de pessoas nunca antes vista.

Para Léo, o medo de fazer compras online está caindo a cada ano. “Hoje em dia, até os mais idosos fazem compras regulares pela internet. Em 2017 as vendas durante as promoções de Black Friday bateram recorde no Brasil e vêm crescendo a cada ano. Isso demonstra que a venda online já está consolidada entre pessoas de todas as idades, sem dúvida um caminho sem volta”, pondera Duarte. 

Pequenos negócios online

Para fazer vendas online não é preciso ser uma grande rede de lojas. A empreendedora Meyrielem da Silva Goulart Siqueira, de Aracruz, mais que dobrou a produção e as vendas depois que começou oferecer seus produtos nas redes sociais.  Meyrielem conta que já fazia bolos, biscoitos finos e tortas, colocava-os em uma cesta e vendia de porta em porta, até resolver criar uma página no Facebook e no Instagram, onde posta fotos diariamente. Além de ter aumentado as encomendas, agora, quando sai de casa para fazer as entregas já está com praticamente tudo vendido.

A estratégia para isso ela mesmo conta: “No dia a dia, sempre que estou com ‘a mão na massa’, fazendo as receitas, vou postando fotos e fazendo comentários sobre a produção do dia. Antes mesmo de ficar tudo pronto já está quase tudo vendido. Continuo saindo de casa com a cesta cheia, mas para fazer entregas, não mais para oferecer meus produtos”, comemora a empreendedora.

Meyrielem disse ainda que percebeu nas redes sociais uma oportunidade e hoje avalia como essencial. “Não me vejo mais vendendo sem uso da internet. Para mim é uma ferramenta fundamental”, enfatiza.  

Comodidade

Se de um lado estão as empresas e os empreendedores que apostam nas vendas online, do outro estão os clientes, pessoas que compram tudo, ou quase tudo pela rede.

O administrador de empresas Edson Francisco Maciel, de 54 anos, é um deles. “Sempre que necessito de algum produto, especialmente eletrônicos, celular e material de informática, a primeira opção é a internet. Avalio não só preço, mas também a facilidade de escolher devido à grande oferta de produtos em um só lugar”, diz o administrador.

O publicitário Eduardo Cruz, 26, também não abre mão dessa comodidade e em 2017 fez pelo menos uma compra online por mês “É muito prático e fácil comprar pela internet. A comodidade de poder pesquisar em diversas lojas e rapidamente ter em mãos os valores e orçamentos para comprar, no conforto da sua casa, é muito bom”, enfatiza Eduardo. Porém, ele não abre mão de alguns cuidados na hora de fechar um pedido. “Sempre analiso a loja, verifico em sites de reclamação a reputação da loja e quais foram as soluções que a empresa tomou para resolver os problemas. Fico de olho também nos descontos muito grandes. Quando quero comprar algo sempre sei o valor médio daquele produto. Caso encontre uma oferta fora do comum evito, pois tenho medo de fraudes”, revela Eduardo. 

Percorrendo o caminho inverso

Há dois anos, a design de moda e administradora Emmilly Piana Meneghel confeccionou alguns laços de cabelo para a filha que acabava de nascer. As amigas viram, gostaram e começaram fazer encomendas. Quando Emmilly se deu conta, a demanda que chegava pelo Instagram e WhatsApp era tanta que já não conseguia mais fazer os produtos e os atendimentos. Foi quando ela decidiu criar um site. “Quando decidi criar o site, já vendia pelo Instagram e pelo WhatsApp, o que tomava muito meu tempo para fazer atendimento. Otimizei meu tempo! O site faz todo o trabalho, além de dar mais segurança para o cliente”, relata Emmilly.

Com o site no ar, o negócio deslanchou. Emmilly já vendeu seus produtos para todos os estados brasileiros e para vários países. No início de janeiro inaugurou sua primeira ilha/franquia em um shopping de Vila Velha, na Grande Vitória.

Mesmo com todo esse crescimento, Emmilly não descuida e continua investindo nas redes sociais. “Nossos resultados são cada dia melhores de acordo que alcançamos mais visualizadores do meu produto. Por isso trabalho bastante as mídias sociais”, relata.

O especialista concorda com Emmilly: “E preciso estar presente nas ferramentas de busca, redes sociais, fazer parcerias com influenciadores, ou seja, quanto mais pessoas acessarem seu site de vendas, maior será seu resultado”, alerta Léo.

Emmilly explica ainda que quando decidiu fazer o site procurou uma profissional da área para tirar dúvidas e posteriormente criar a página na internet, e rapidamente foi possível recuperar o valor investido. Duarte destaca que para ter retorno esse é justamente o caminho: buscar informações sobre e-commerce, bem como se planejar. “No universo digital o retorno é muito ligado também ao tamanho do investimento”, lembra. 

Novas regras do setor

Quem deseja implantar o e-commerce em seu negócio deve ficar atento à nova regulamentação para o comércio eletrônico no Brasil, que entrou em vigor na última semana de dezembro, por meio da Lei 13.543, com exigências para a venda de produtos online. De acordo com a norma, os preços devem ser colocados à vista no site, de maneira ostensiva, ao lado da imagem do produto ou descrição do serviço. Além disso, as letras não podem ser menores do que o tamanho 12.

A norma inclui as exigências na Lei 10.962, de 2004, que disciplina as formas de afixação de preço de comerciantes e prestadores de serviços. Entre as obrigações gerais de empresas estão a cobrança de valor menor se houver anúncio de dois preços diferentes e a necessidade de informar de maneira clara ao consumidor eventuais descontos.

O consumidor que se deparar com uma situação em que o preço não está apresentado de maneira clara e em destaque deve acionar o Procon. Os sites que estiverem violando as previsões da Lei podem ser multados ou até suspensos.



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