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Começa a temporada de desova das tartarugas marinhas

12 de Setembro de 2017 Autor: Tatiane Serafim

Começa a temporada de desova das tartarugas marinhas

A 35ª temporada (2017/2018) de reprodução das tartarugas marinhas monitorada pelo Projeto Tamar acaba de começar. Ela tem início em setembro e se estende até março do ano que vem. É o período em que as tartarugas voltam para desovar nas praias brasileiras. O litoral linharense é área prioritária de desova no Espírito Santo e uma das mais importantes do Brasil.

Até o momento, apenas uma tartaruga desovou por aqui nesta nova temporada. O caso aconteceu na praia de Povoação há duas semanas, mas a partir de agora a incidência só aumenta, segundo a coordenadora regional (Espírito Santo/Rio de Janeiro), Cecília Baptistotte, e atinge seu pico no mês de novembro.

Cecília diz que Linhares é o único lugar do país a receber, regularmente, a desova das espécies cabeçuda e gigante, ameaçadas de extinção. São mais de 100 km de litoral que servem de verdadeiros berçários para esses animais. Desse total, 37 km compreendem a praia de Combios, em Regência. Todo território é monitorado por equipes técnicas do Projeto Tamar e tartarugueiros ou carebeiros (derivado da palavra “careba” como são chamadas as tartarugas no idioma indígena, presente na região). “Geralmente, os carebeiros são pessoas que moram nas proximidades da praia e são contratados para auxiliar na identificação e monitoramento dos ninhos”, diz Cecília.

Nesse período de desova, o monitoramento é feito diariamente durante a noite pelas equipes. Os ninhos encontrados são identificados com estacas brancas e monitorados pelos profissionais. “Assim que os filhotes eclodem dos ovos, as equipes voltam aos ninhos para o cadastramento dos animais, que inclui a identificação da espécie, a contagem das cascas, dos filhotes que não sobreviveram e, ainda, para auxiliar na soltura daqueles que não conseguiram sair dos ovos ou chegar ao mar sozinhos”, conta Cecília. 

Observação turística

De acordo com a coordenadora, essa última etapa, em que os profissionais voltam aos ninhos, pode ser acompanhada por turistas, quando se trata de ninhos mais próximos da orla. Geralmente acontece no fim de novembro e no mês de dezembro.

“A incubação dura em média 70 dias, podendo ser menor quando o clima está mais quente. Com a temperatura da areia da praia maior, os filhotes nascem mais rápido, chegam até 45 dias de incubação”, explica Cecília.

Para acompanhar o nascimento dos filhotes, as pessoas devem entrar em contato com a base do Tamar em Linhares para obter informações de quando haverá abertura de ninhos. O telefone é o (27) 3274-1905 e funciona de terça a domingo, das 8h às 12h e das 13h às 17h. Os biólogos também costumam avisar as comunidades sobre a programação para que os turistas sejam informados. 

Preservação

A participação das pessoas no programa de conservação é essencial para assegurar o patrimônio natural às novas gerações. “Nós pedimos às pessoas para não mexerem nos ninhos, não retirarem as estacas de identificação e evitarem passar próximo ao local. Quem encontrar ninhos não identificados, pedimos que entre em contato com a equipe do Tamar mais próxima”, ressaltou Cecília Baptistotte.

As ações do homem estão entre as principais ameaças à vida das tartarugas, destacando-se a pesca incidental, ao longo de toda a costa, com redes de espera, e em alto mar, com anzóis; a destruição do habitat para desova pela ocupação desordenada do litoral; fotopoluição; trânsito de veículos nas praias; poluição dos oceanos; e as mudanças climáticas. 

Saiba mais

Todas as cinco espécies de tartarugas marinhas que ocorrem no Brasil utilizam essa área para reprodução, alimentação ou migração: as tartarugas oliva (Lepidochelys olivacea) e de-pente (Eretmochelys imbricata), que possuem poucos, mas constantes registros na região; a tartaruga-verde (Chelonia mydas), que utiliza a área para alimentação, principalmente de seus indivíduos juvenis; a tartaruga-cabeçuda (Caretta caretta),  espécie com maior número de ninhos na região, com mais de 2000 ninhos por ano registrados; e a tartaruga-gigante (Dermochelys coriacea), população esta que está entre as mais ameaçadas de extinção do mundo.

Todas as espécies de tartarugas estão classificadas como ameaçadas de extinção, em diferentes categorias que variam de Vulneráveis a Extremamente Ameaçadas, segundo a União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN). Ao longo de 180 milhões de anos as tartarugas marinhas enfrentaram e sobreviveram às radicais mudanças climáticas do planeta, mas quase não resistiram aos danos causados nos últimos cem anos de ocupação e uso desordenado dos recursos pelo homem. Por conta dos impactos de proporções imensuráveis causados pelo consumo de carne, óleo, ovos e adornos feitos de tartarugas, na década de 80 este grupo foi considerado praticamente extinto aqui no Brasil.

As atividades de proteção tiveram início em 1976 a 1978, e teve como marco sua primeira expedição de pesquisas para coleta de dados no arquipélago Fernando de Noronha. Logo depois, na década de 80, utilizando as tartarugas marinhas como espécie-bandeira para a conservação dos ambientes marinhos e costeiros, iniciaram-se as atividades do maior programa de proteção às tartarugas marinhas do Brasil, reconhecido e respeitado mundialmente, conhecido como Projeto TAMAR.

FOTO: Reprodução/Tamar



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