Jornal Correio do Estado - O Jornal que todo Mundo lê

Notícias - Entrevista

De sacoleira a dona da própria rede de lojas

21 de Julho de 2017 Autor: Caroline Pereira

De sacoleira a dona da própria rede de lojas

Em entrevista ao jornal Correio do Estado, Kely Aliny Neves, das lojas Kely Modas, conta como superou as adversidades e construiu um negócio de sucesso.

A jovem empreendedora Kely Aliny Neves, de 31 anos, proprietária da rede de lojas Kely Modas, que possui filiais em Aracruz, Linhares e Vitória, é dona de uma história de sucesso e também de muita superação. Filha de pais separados, ela passou parte da infância na casa dos avós, a outra parte com a mãe e a adolescência com o pai, que faleceu quando ela completou 18 anos.

Apesar da perda, Kely decidiu seguir a vida e ir atrás dos objetivos que já tinha traçado, que incluíam estudos na faculdade e uma carreira de sucesso como líder de uma empresa. Daí em diante, Kely precisou superar diversos desafios, como a pouca disponibilidade de recursos financeiros, o mercado de trabalho pouco receptivo para pessoas sem experiência e até mesmo a necessidade de fechar as portas de sua primeira loja. Hoje, ela celebra os resultados de seu esforço e faz ainda outros planos para o futuro.

Em entrevista ao jornal Correio do Estado, Kely compartilhou outros detalhes de sua história e deu dicas para os leitores que sonham em ser donos de um negócio próprio. Confira: 

Jornal CE: Como e quando surgiu a ideia de abrir o seu próprio negócio, mais especificamente no mundo da moda? 

Kely: Quando eu era criança, minha mãe trabalhava como costureira e ela abriu uma loja para vender as peças que confeccionava. E já nessa época, eu me envolvia com o trabalho dela e oferecia ajuda. Sempre gostei da área da moda, mas meu plano, desde a juventude, não se resumia a apenas ter uma loja. Meu maior sonho sempre foi ser gerente de uma grande empresa. No entanto, para poder bancar os estudos da faculdade, abri uma pequena loja em Aracruz há 12 anos, mas que fechou tempos depois por conta de algumas dificuldades que enfrentei. 

Jornal CE: Você sempre teve uma vocação empreendedora ou já pensou em seguir carreira em outra área? 

Kely: Sempre tive vocação para um cargo de liderança. Quanto ao empreendedorismo, acho que desenvolvi pela necessidade de conquistar meu sonho de cursar uma faculdade. O plano sempre foi bancar minhas despesas no ensino superior, ser independente e depois entrar em uma grande empresa. 

Jornal CE: Na juventude, você tomou muitas decisões que poucos ousariam tomar, como sair cedo da casa da família e viver por conta própria. Que lembranças você tem desse período e como isso contribui para o seu sucesso? 

Kely: Nessa época, antes de ingressar na faculdade, eu morava no município de Águia Branca, mas eu não tinha condições de estudar lá. Meu pai faleceu e fiquei sem ter uma pessoa para ajudar a pagar meus estudos. Mas eu tinha sonhos e decidi lutar por eles. Queria escrever minha história. Eu só tinha uma certeza: podia até passar fome, mas Deus estava comigo e eu ia vencer. Foi então que busquei uma nova cidade para conseguir um abrir uma loja e estudar. Procurei nos jornais e decidi por Aracruz. Rezei muito para que Deus me orientasse e segui o que ele colocou no meu coração. Foi assim, aos 18 anos de idade, que decidi sair de casa com R$ 1.700 no bolso e também com um grande sonho, além de muita garra para trabalhar. Abri uma loja de 10 m2, em outubro de 2004. Porém, por mais que eu me esforçasse, a loja era muito pequena e eu não conseguia me manter e ainda pagar faculdade. Em janeiro do ano seguinte, tomei a decisão de virar sacoleira e arrumar um emprego para poder fazer a inscrição na faculdade. 

Jornal CE: É verdade que você já chegou a trabalhar de graça para adquirir experiência e conseguir um emprego? 

Kely: Sim, é verdade! Foi muito difícil conseguir um emprego quando me lancei no mercado, até porque era janeiro, período de férias, quando ninguém costuma contratar. Mesmo assim, descobri uma vaga aberta numa loja atacadista e que exigia dois anos de experiência em telefonia móvel, algo que eu não possuía. Eu lutei por essa vaga e implorei para trabalhar de graça por uma semana, para demonstrar meu trabalho. Prometi aprender tudo que precisava naquele período e, admito, chorei contando a minha história ao gerente pedindo essa oportunidade. Consegui a chance de demonstrar meu trabalho e agarrei a oportunidade com todas as minhas forças. Quase não dormia estudando as apostilas. Eu era um dos primeiros funcionários a entrar no expediente e um dos últimos a sair. Falavam que eu vendia até avião caindo. 

Jornal CE: Você conseguiu retomar a ideia de ter um negócio próprio com o apoio de sua mãe, que também é empreendedora. Em sua opinião, qual é o papel e a força das mulheres no mercado de trabalho? 

Kely: Minha mãe me incentivou a abrir a Kely Modas e vendeu até o carro para me emprestar o dinheiro. Ela me treinou e me mostrou que ser empreendedora nos dá mais oportunidades do que ter um emprego. Em 2007, eu abri a Kely Modas porque já acreditava no papel da mulher do mercado de trabalho. Empreender era a forma de mostrar nossa capacidade por completo. 

Jornal CE: E por que a rede de lojas leva o seu nome? 

Kely: Porque eu queria traduzir na loja a minha forma de pensar sobre a democratização da moda e a valorização das pessoas. Minha mãe também gostou da ideia e da fonética. 

Jornal CE: Você acha que o mercado aceita bem uma liderança feminina? 

Kely: O mercado tem resistência a uma liderança feminina. Para uma mulher se afirmar e ter respeito profissional, ela precisa fazer muito esforço e ter muito foco, pois, infelizmente, a sociedade empresarial ainda não entendeu totalmente a igualdade de gêneros. 

Jornal CE: Você já ganhou prêmios pela construção de um negócio sólido e que, na contramão da crise, só vem se expandindo no mercado. Qual é o segredo dessa trajetória vitoriosa? 

Kely: Acredito que o segredo da minha trajetória de sucesso está baseado na minha garra e determinação, pois eu penso positivo, tenho sonhos, traço estratégias e não perco o foco.  Luto diariamente para atingir meus objetivos. Acredito muito em Deus e a fé renova minhas forças!  

Jornal CE: Quais são os seus planos para o futuro, tanto na vida profissional quanto na pessoal?  

Kely: Meu plano é tornar as lojas Kely referência em moda de qualidade, com preço acessível em todo o Estado. Também quero expandir as vendas para o Brasil e dar oportunidades para que outras pessoas possam empreender por meio de franquias ou de sociedade com a loja. Já na vida pessoal, planejo continuar sendo muito feliz e viajando pelo mundo. Também quero cumprir minha missão de ajudar esse mundo a ser um pouco melhor, motivando outras mulheres a também construir uma história de sucesso.  

Jornal CE: Que conselhos você daria para as pessoas, especialmente as mulheres, que sonham em ter um negócio próprio? 

Kely: Lute pelos seus sonhos. Seja autor da sua história, pois vale a pena. Nada é impossível para quem tem fé!  Estabeleça um plano do que e como você deve fazer para atingir seu objetivo. Desenvolva garra e perseverança para se dedicar incansavelmente, quantos dias e horas for preciso, para chegar até lá. Foco e pensamento positivo são importantes! Você é capaz, acredite! Use as pedras no caminho para se tornar mais forte e seja honesta para ser merecedora.  

FOTO: Reprodução/Instagram



    Comentários (0) Enviar Comentário