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Estudante de Linhares vai expor projeto que trata água do Rio Doce em feira internacional

10 de Agosto de 2017 Autor: Caroline Pereira

Estudante de Linhares vai expor projeto que trata água do Rio Doce em feira internacional

A estudante Lydia Ellen Tonani, de 15 anos, aluna do 1º ano do Ensino Médio da Cooperativa Educacional de Linhares, vai representar o Brasil em uma feira internacional de ciências e tecnologia, que acontece entre os dias 22 a 26 de agosto na cidade de Encarnación, no Paraguai.

A adolescente garantiu presença no evento após conquistar o segundo lugar na categoria “Divulgação Científica” da 22ª Feira da Ciência Jovem, que aconteceu no ano passado em Recife (PE). Lá, ela expôs o projeto batizado de “Purificação eletro carbônica: Um pedido de socorro (Rio Doce)” que, basicamente, consiste em tratar a água afetada pela lama de rejeitos de minério, utilizando o método da eletrofloculação, que faz com que as impurezas contidas na água – neste caso, os metais pesados – sejam aglutinadas e separadas após receberem corrente elétrica. O projeto, de acordo com a idealizadora, também sugere que a técnica seja aliada ao reflorestamento do entorno do rio.

A mãe da estudante, Hellem de Sousa Tonani, conta que logo após o rompimento da barragem de Fundão, no município de Mariana (MG), Lydia começou a questionar o que poderia ser feito para recuperar o rio. Tempos depois, a estudante iniciou pesquisas na internet, encontrou algumas alternativas, escolheu o método da eletrofloculação e, com o suporte dos professores – em especial, os das disciplinas de química e física – e de outros profissionais, começou a fazer os testes em casa, com água coletada do Rio Doce.

Com os resultados obtidos, Lydia e seu projeto foram inscritos no processo seletivo da 22ª Feira da Ciência Jovem e o trabalho foi um dos 280 selecionados, dentre 550 candidaturas. A estudante afirma que ainda tem planos de desenvolver outra pesquisa sobre o que poderia ser feito com os rejeitos separados pelo método. 

Próximos passos

Assim como aconteceu em Recife, Lydia diz que vai levar para o Paraguai uma maquete que retrata a situação do Rio Doce e que dá suporte à estação de tratamento que montou. Por questões de segurança, ela não poderá entrar com amostras de água do rio no País, mas vai transportar pedaços de rejeitos acumulados, que serão misturados à água coletada no local do evento.

Para a feira, Lydia vai contar com uma novidade. No momento em que era entrevistada pelo jornal Correio do Estado, a adolescente recebeu os resultados de uma análise laboratorial, que checou se a água tratada em seu experimento possui, de fato, uma menor concentração de metais pesados. De acordo com o laudo do Laboratório de Análises Ambientais da FULLIN – que o jornal CE teve acesso –, houve uma redução na quantidade de arsênio, chumbo, ferro e manganês. 

Apoio

Além de ser motivo de orgulho para a mãe, para o pai, Tarciso Tonani, e para a irmã mais nova, Lyvia Carolline Tonani, Lydia tem o reconhecimento dos mestres e colegas de escola. A professora de física, Daniele Pereira da Silva, diz que a estudante é muito inteligente e dedicada. Já a professora de português, Alcenira Nogueira, conta que a aluna é exemplar, inteligente e esforçada. “Ela é motivo de orgulho para todos nós. Enquanto escola, estamos juntos para materializar esse sonho da melhor forma possível. Que esse momento sirva para impulsionar outras buscas e abrir novos horizontes, sempre apontando para um futuro muito luminoso guardado para essa encantadora menina”, completa.

Questionada sobre o que pretende fazer no futuro, Lydia afirma que deseja cursar engenharia química e escrever mais livros, além dos dois que ela já desenvolveu e pretende publicar quando tiver os recursos necessários. 

FOTO: Lydia Ellen Tonani com o prêmio conquistado na 22ª Feira da Ciência Jovem (Créditos: Arquivo Pessoal)



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