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O meio ambiente é pauta em Davos

31 de Janeiro de 2018

O meio ambiente é pauta em Davos

Será que temos bons ventos nos trazendo sinais de novos tempos? A elite do liberalismo mundial se reuniu entre os últimos dias 23 e 26 para o Fórum Econômico de Davos, na Suíça, para discutir as questões mais urgentes enfrentadas mundialmente - entre elas, o meio ambiente ganhou um espaço diferenciado neste ano. O tema oficial do encontro foi "Criando um futuro compartilhado em um mundo fraturado", slogan que contrasta com as políticas comerciais, ambientais e de segurança de Donald Trump, Presidente dos Estados Unidos.

A lista de presentes contou com 70 chefes de Estado e mais de 2.500 pessoas, entre bilionários, empresários, banqueiros, organizações não-governamentais e até estrelas de cinema. Por meio de uma série de mesas-redondas e seminários, também foi discutida a chamada "Quarta Revolução Industrial", com os efeitos das novas tecnologias sobre os trabalhadores e a economia, assim como o problema das notícias falsas (fake news) e a inteligência artificial.

Neste ano, o Relatório Global de Riscos do Fórum Econômico Mundial, estudo que contou com a participação de 1000 especialistas e empresários, destacou que as tensões geopolíticas e os efeitos das mudanças climáticas, e suas consequências para o meio ambiente e para as pessoas, estão entre os principais riscos para o mundo em 2018. Se o medo do terrorismo e a desigualdade social foram os temas que dominaram edições anteriores do relatório, agora o clima extremo, a perda da biodiversidade e os desastres naturais são percebidos como os maiores perigos para a humanidade e o planeta, além da crescente tendência nacionalista e isolacionista de nações. Outro ponto abordado por esse estudo é que a melhora da economia mundial abre campo para a adoção de medidas contra a "fragilidade sistêmica" que afeta as sociedades, as economias e o meio ambiente.

É muito relevante que um dos maiores fóruns de líderes mundiais abra espaço para temas relacionados à agenda da sustentabilidade. Isso porque está mais do que comprovado que a economia e a sustentabilidade estão sistemicamente conectadas. Ou seja, não há como ter desenvolvimento econômico sem os recursos e serviços naturais, sem pessoas e sem uma distribuição adequada no aproveitamento dos bens econômicos.

Durante o evento, o político e ecologista americano Al Gore, uma das figuras públicas mais influentes na defesa de questões ambientais, disse que "a sobrevivência da nossa civilização está em jogo aqui, e as pessoas estão se tornando conscientes disso, e a mudança está começando a acelerar, mas temos que traduzir isso em mudanças políticas". O primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, engrossou esse coro, afirmando que a mudança climática é "a maior ameaça à civilização".

Já o presidente francês, Emmanuel Macron, anunciou que a França pretende fechar todas as suas usinas elétricas a carvão até 2021 e que ações em prol do meio ambiente serão um dos cinco pilares para reformar a economia francesa. Houve muitos pronunciamentos nas montanhas alpinas durante o Fórum Econômico de Davos, mas em relação à mudança climática, a declaração do líder francês talvez tenha sido o ponto alto desse tema.

Vale lembrar que a decisão do Donald Trump, de retirar o país do Acordo de Paris, pode ter soado com um "golpe" nos esforços globais para frear as mudanças climáticas, uma vez que o país governado por Trump é o segundo maior poluidor do planeta. Porém, pelas falas e compromissos dos demais líderes globais, a tendência é que este golpe passe de raspão e deixe o líder americano isolado sobre este tema.

 

Não há dúvidas que crescimento econômico alinhado à preocupação com a sustentabilidade é o grande desafio da humanidade das próximas décadas. Cenário que evidencia a urgente necessidade de reconstruirmos nossos valores, padrões e perspectiva de bem-estar e prosperidade econômica, social, ambiental e por que não dizer, política, ética e moral.