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Reciclando e compartilhando responsabilidades

24 de Agosto de 2017

Reciclando e compartilhando responsabilidades

Na última coluna, falamos um pouco sobre o atual contexto dos sete anos da aprovação da Política Nacional dos Resíduos Sólidos (PNRS) no Brasil, celebrados em agosto com a criação da Lei 12.305/2010. Hoje, vamos abordar um pouco mais sobre este tema, mas agora sob a perspectiva da responsabilidade compartilhada, uma das principais diretrizes da PNRS e que no caso brasileiro coloca a reciclagem como uma das alternativas de solução.

O princípio básico da responsabilidade compartilhada é que todos os agentes que participam em alguma das etapas do ciclo econômico de um determinado produto, seja da produção, comercialização ou consumo, têm responsabilidades sobre os resíduos gerados, sempre individualizando o nível de participação e contribuição para que o eventual resíduo tenha o menor impacto ambiental na sua destinação.

Na prática, tanto os fabricantes de embalagens, como os de produtos que usam a embalagem, a exemplo dos alimentos e bebidas, higiene e limpeza, cosméticos, brinquedos, eletroeletrônicos, entre muitos outros, sendo que todos têm responsabilidades sobre as embalagens residuais geradas após o consumo do produto.

Cabem a estes entes do ciclo econômico basicamente dois níveis de contribuição direta: primeiro, aprimorar suas tecnologias para reduzir o nível de embalagem; segundo, incorporar mais matéria-prima com origem de material reciclado em suas embalagens, contribuindo para que a cadeia produtiva de embalagens tenha um ciclo econômico que impulsione a reciclagem. Adicionalmente, é esperado que o setor produtivo também desenvolva ações de fomento à coleta seletiva, seja apoiando cooperativas, projetos de educação ambiental ou implementando usinas de reciclagem.

Em outro elo da cadeia, temos o poder público. Os municípios têm que desenvolver e implementar estruturas de coleta seletiva, para que cidadãos possam fazer a segregação dos resíduos gerados.

Por fim, temos os consumidores, que devem cobrar dos municípios a implementação da coleta seletiva e privilegiar as marcas que tenham ações mais avançadas como a redução de embalagens e do reaproveitamento de material reciclado. Nós, consumidores, temos um dos papéis mais relevantes, que é fazer a segregação dos resíduos em casa entre rejeitos e recicláveis e enviá-los adequadamente para a reciclagem e pontos de coleta seletiva mais próximos.

Organizados em cooperativas ou associações, a participação dos catadores tem grande relevância na lei da Política Nacional de Resíduos Sólidos, que reforça o viés social da reciclagem. Segundo o Movimento Nacional dos Catadores de Materiais Recicláveis (MNCR), os catadores somam um universo de um milhão de pessoas em todo o Brasil. A renda média dessas pessoas não atinge um salário mínimo, ficando entre R$ 420 e R$ 520. São aproximadamente 1.100 organizações coletivas como cooperativas e associações de reciclagem.

De acordo com o Cempre - Compromisso Empresarial para Reciclagem, o Brasil recicla apenas 13% do total de resíduos sólidos produzidos e apenas de 15% dos brasileiros - 31 milhões de pessoas - têm acesso à coleta seletiva. Ainda segundo o Cempre, são 16 cooperativas de reciclagem no Espírito Santo, que coletam diversos tipos de materiais. Uma delas fica em Linhares, resultado de um projeto criado em 2012, por meio da parceria entre a Prefeitura, Leão Alimentos e Bebidas, Instituto Coca-Cola, Vital Engenharia Ambiental, dentre outros apoiadores. É a CRIAR - Centro de Reciclagem, Inovação, Aprendizagem e Renovação.

 

E você já pratica a coleta seletiva? Sabe onde fica o ponto de entrega mais próximo de sua casa? Se não, que tal começar? Reciclar é mais que separar "lixo". É um ato concreto de cidadania!

Fabiano Rangel

IMAGEM – REPRODUÇÃO