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Estamos no "vermelho" e todos vamos pagar esta conta!

10 de Agosto de 2017

Estamos no

Segundo a Global Footprint Network, organização internacional de pesquisa pioneira na contabilização da pegada ecológica do homem, o último dia 2 de agosto marcou o dia "Dia da Sobrecarga da Terra" (Earth Overshoot Day, em inglês).  Na prática, isso significa dizer que nessa data - eu, você e todas as outras pessoas, ou seja, a humanidade – utilizou o "orçamento ambiental do planeta" disponível para os 365 dias do ano. Se fosse uma conta bancária, em 2017, teríamos que rodar 129 dias no "cheque especial", portanto, com o limite da conta estourado.

A conta é simbólica, mas serve de um grande alerta para demonstrar que a nossa demanda por recursos ambientais atualmente excede o que o planeta Terra é capaz de regenerar no ano. Para esse cálculo, a Global Footprint considera o método da pegada de carbono, incorporando na conta os recursos consumidos pela pesca, pecuária, os cultivos, a construção e a utilização de água.

Na contabilidade geral desta conta, estamos utilizando o equivalente a 1,7 dos recursos ambientais disponíveis na Terra, ou exaurindo a natureza 1,7 vezes mais rápido do que os ecossistemas conseguem se regenerar. As consequências desse "cheque especial" de gastos ecológicos se refletem claramente nos dias de hoje em escassez de água potável, secas, desmatamentos,  perda de biodiversidade, erosão do solo e o acúmulo de dióxido de carbono na atmosfera.

Um dado alarmante e que devemos olhar com muita atenção é que estes estudos têm demonstrado que estamos esgotando a capacidade de regeneração dos recursos do planeta cada vez mais cedo. Para se ter uma ideia, no ano passado, o Dia da Sobrecarga da Terra fechou em 8 de agosto, enquanto em 2015 a conta fechou negativa em 13 de agosto, e em 2000 aconteceu em 1º de outubro.

Por isso, há a urgência em revermos nossos hábitos de consumo e mobilizar cada vez mais as pessoas a fazerem o mesmo. Podemos começar com gestos caseiros e pequenos, como evitar o desperdício de alimentos, reduzir o consumo de água e energia em nossas casas de milhares de maneiras hoje já conhecidas, privilegiar o transporte coletivo ou mesmo de baixa emissão de carbono.

Tente hoje, amanhã e depois a começar com coisas simples, como trocar a mangueira pela vassoura quando for lavar o quintal e calçadas, ou reutilizar a água da máquina de lavar, demorar menos no banho e fechar a torneira ao escovar os dentes. Em casa, separe dois recipientes para o "lixo", um para os rejeitos e outro para os recicláveis.

Se é para falar de economia, vale lembrar que os chuveiros elétricos, ferro de passar, geladeira, ar condicionado, máquina de lavar e iluminação são os vilões do consumo de energia em casa. Então, repense sempre sobre a necessidade e a forma de usar estes equipamentos. Outra dica é usar lâmpadas led, que gastam até 10 vezes menos energia do que as lâmpadas fluorescentes tradicionais.

O mais importante de começar pelos gestos "pequenos" e individuais é entender a sua importância e começar a ganhar gosto por práticas mais sustentáveis. Quando isso acontece, não demora muito para se envolver em coisas maiores, como mobilizar outras pessoas e porque não participar de grandes projetos que podem mudar o mundo.

O impacto de cada um de nós sobre o planeta, de acordo com nossos hábitos de consumo, chamado de pegada ecológica, individualmente pode parecer pequeno, porém quando coletivizado fica enorme. Por isso, na outra mão, se cada um fizer pouco, logo todos nós estaremos fazendo muito, e juntos vamos conseguir tirar nosso planeta do "vermelho".

Fabiano Rangel 

 

FOTO - REPRODUÇÃO