Jornal Correio do Estado - O Jornal que todo Mundo lê

Matérias

Como será o futuro dos produtos orgânicos?

02 de Agosto de 2017

Como será o futuro dos produtos orgânicos?

O mercado de produtos orgânicos segue crescendo dois dígitos em média por ano, atraindo consumidores atentos a uma alimentação saudável e, consequentemente, agregando cada vez mais produtores a este modelo. Segundo dados do Conselho Nacional da Produção Orgânica e Sustentável (Organis), o mercado nacional de orgânicos cresceu 20% em 2016, com faturamento estimado de R$ 3 bilhões, e a perspectiva é chegar à taxa de crescimento de 25% a 30% em 2017.

Já o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), contabiliza cerca de 16.000 produtores orgânicos cadastrados. Dados atualizados do Ministério apontam que a área de produção de orgânicos hoje no Brasil é de 1,1 milhão de hectares, quase o dobro do que havia em 2013.

Para ser considerada orgânica, a produção agrícola deve ser comprovadamente livre da utilização de fertilizantes e defensivos químicos, sintéticos e no caso da produção animal de reguladores de crescimento ou aditivos sintéticos. Isso tanto na aplicação direta sobre a cultura agrícola como na área de influência direta, seja sobre o solo, fontes de captação de água ou dispersão de área.

Honestamente, não sou especialista no tema, mas tenho a convicção que se houvesse mais estudos, mais tecnologia de manejo agrícola por sistemas "sintrópicos" ou similares, mais integração de cadeias produtivas, mais diversificação sobre as áreas plantadas e, sobretudo, maior atenção e consciência do consumidor na adaptação dos hábitos alimentares, ajustando sua dieta aos produtos de época, acredito que os sistemas de produção orgânica dariam saltos maiores, tanto na mesa do consumidor, como nos produtos alimentícios industrializados.

Sim, certamente também é possível ter produtos orgânicos industrializados, sendo necessário que estes tenham comprovadamente 95% da sua composição com ingredientes orgânicos e que o processo fabril assegure que não haverá nenhuma interferência de outras matérias primas e ingredientes não orgânicos.

Outra variável relevante a ser ressaltada, tanto para produtos orgânicos como para os conhecidos como "fair trade” ou "comércio justo", é que a cadeia produtiva precisa assegurar um sistema sustentável de produção sobre o manejo do solo, tratamento dos resíduos e uso da água. A perspectiva social também não pode deixar de ser considerada, no que se refere às condições dignas e legais de trabalho, a distribuição equilibrada do lucro ou resultado econômico da cadeia produtiva.

De acordo com o Incaper - Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural, 300 produtores rurais já possuem a certificação orgânica no Espírito Santo e cerca de 1.300 não utilizam produtos químicos nas lavouras, além de outros 300 que estão saindo do cultivo tradicional e adotando as práticas de agroecologia. Juntos, todos esses produtores colhem cerca de 12.800 toneladas por mês, sobretudo de frutas e olerícolas.

Presente em pelo menos 40 municípios, a agroecologia ocupa 9.500 hectares nas terras capixabas. As principais cidades com propriedades certificadas são Boa Esperança, Cariacica, Cachoeiro de Itapemirim, Ibitirama, Domingos Martins, Iconha, Iúna, Jaguaré, Laranja da Terra, Mantenópolis, Montanha, Muqui, Nova Venécia, Santa Leopoldina, Santa Teresa, Santa Maria de Jetibá, São Mateus, Venda Nova do Imigrante, Rio Bananal e Dores do Rio Preto.

Para finalizar, mesmo sem entrar no mérito técnico de qual seria o melhor método de produção, orgânica ou convencional, é certo que há um lado poético, belo e satisfatório na produção orgânica que me agrada mais, uma vez que os cuidados neste tipo de cultivo exigem uma relação de maior intimidade do produtor com sua terra, sua cultura e seu consumidor, dado que a margem para erros é quase inexistente.

Fabiano Rangel 

FOTO - REPRODUÇÃO