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João de Barro e Rancho: os Reis do Caranguejo em Linhares

21 de Julho de 2017

João de Barro e Rancho: os Reis do Caranguejo em Linhares

Com ele, geralmente não há meio-termo: há os que amam comer caranguejo e os que não sentem a menor empolgação na trabalhosa tarefa de “desmontá-lo” em busca de um pouco de carne. Mas é fácil entender os que pertencem ao primeiro time. Afinal, a carne é suave, macia e naturalmente saborosa.

Não é todo dia que temos um crustáceo inteiro na nossa frente pra devorar. É necessário armar-se de martelinho, amigos próximos destemidos e se jogar. Quem nunca experimentou, dê uma chance ao bichinho. Em Linhares as casas especializadas na iguaria não são muitas, já que o preparo é trabalhoso.

E Gourmet&Comer destaca duas: o João de Barro, no bairro Três Barras, que serve o crustáceo às terças-feiras e o Restaurante do Rancho que tem caranguejo à vontade todas as quintas. O tamanho dos bichinhos nos dois restôs merece respeito: são bem avantajados. E outra coisa boa: há música ao vivo e espaço kids (aquele para as crianças brincarem) nos dois locais.

O ritual para comer o caranguejo tanto no João de Barro como no Rancho é o mesmo, tenho certeza! Todos se põem à mesa, que é limpa para receber os instrumentos necessários: uma pequena tábua e um pauzinho para bater no bicho, que já está mortinho. Enquanto se come, o ritual pode ser acompanhado por música (como dito lá em cima!), ou por uma conversa, apressada ou vagarosa, a depender da habilidade de quem está comendo. Ah! Vinagrete e farofa bem feita são primordiais.

Sim, habilidade, porque nem todo mundo sabe comer: tem os que comem tudo, os que comem só as patas, os que comem rápido, os que comem devagar, os que chupam as patas, sujam as mãos, se lambuzam. É uma unanimidade! Para os que gostam de caranguejo, é inadmissível que alguém não goste. Os que desgostam, não é pelo sabor, mas pelo trabalho que dá para comer.

O bicho é estranho, duas patolas em forma de pinças e quatro pares de patas articuladas, que devem ser arrancadas, uma a uma - o modo certo de comer é ir arrancando as patas. Deixa-se de lado o casco, que se come por último, retirando-se a parte inferior, separando-o da carapaça e limpando-o, leva-se à boca, extraindo, das partes internas, a carne branca e macia. No final, abre-se o corpo do caranguejo, para comer, com farofa, a gordura que fica depositada no casco. A gordura é levemente amarga.

Ninguém fica limpo, mas as caras são satisfeitas e felizes. A bebida habitual que acompanha a iguaria é a cerveja, da marca preferida do bebedor, ou o refrigerante, para os não bebedores de álcool, e ainda a água de coco. Se a cerveja for ruim, mas o caranguejo bom, tudo bem! Se a cerveja for boa, gelada, e o caranguejo grande, carnudo e gordo, então...!

Noites de terça (João de Barro) e quinta-feira (Restaurante do Rancho), é possível ver e ouvir toda aquela gente em torno das mesas. Entre sons, aromas e sabores, é o encontro dos comensais, dos amigos, da família, dos namorados... com o caranguejo.