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Impactos do aumento dos impostos da gasolina

25 de Julho de 2017

Impactos do aumento dos impostos da gasolina

Apesar de morar nos Estados Unidos, acompanho com muito interesse e atenção tudo o que acontece no Brasil. Na semana passada fomos surpreendidos com uma medida polêmica e no mínimo, controversa, o aumento dos impostos (PIS/Cofins) sobre os combustíveis (gasolina, diesel e etanol). Com esta medida o governo federal espera arrecadar cerca de R$ 10 bilhões a mais neste ano. O imposto sobre a gasolina subiu R$ 0,41 por litro. Do diesel subiu R$ 0,21 por litro. A do produtor de etanol aumentou, e o distribuidor que não pagava, vai passar a pagar.

Este é um tipo de decisão discricionária. O impacto é imediato, além de não precisar da autorização do Congresso. É muito fácil e cômodo para o gestor público, é só dar uma canetada e pronto, resolve-se o problema. Mas será que a conta é tão simples assim?

Lógico que não! Esta decisão pode ser um tiro no pé. O efeito pode ser contrário. Este tipo de medida desestimula ainda mais a tão combalida economia brasileira, que precisa de incentivos para a sua plena recuperação. A sociedade não tolera pagar mais impostos. Este não é o caminho viável, coerente e justo a seguir. O governo está indo totalmente na contramão dos anseios da população. Além disto, o crescimento estrutural das despesas primárias do governo pode comprometer este “ganho” de arrecadação e tornar esta medida com efeito nulo e/ou sem sentido. Despesas estas que estão em tendência de alta, como os reajustes do funcionalismo público, do judiciário, das autarquias etc. A pressão por aumento de gastos no Brasil é muito forte. É preciso ter consciência que apesar das necessidades serem ilimitadas, os recursos são limitados. Deve-se ter responsabilidade.

O interessante é que era isto o que todos criticavam no governo do PT. Ou seja, pouco se mudou, está tudo do mesmo jeito no Brasil. Vejo falta de liderança, vejo um governo federal fraco, sem poder de realização e muito menos de promover reformas. Pelo contrário, vejo um governo que vem cometendo os mesmos erros do passado, executando as mesmas medidas.

Parece que os gestores públicos não aprenderam o conceito de otimização. Otimizar é algo que todo empresário aprende na prática: fazer mais, gastando menos. Ser eficiente é uma necessidade na iniciativa privada, este é um princípio básico da boa gestão financeira. No setor público são poucos os que fazem isso. E novamente teremos que pagar o pato.

Com o aumento dos combustíveis, podemos esperar novos aumentos. O combustível é um insumo básico para produção de bens e serviços, os custos empresariais irão aumentar, e consequentemente, os preços também irão aumentar. Em uma época de recessão econômica, aumentar preços não é uma boa ideia. Por outro lado, sacrificar margens de lucros, pode ser ainda mais danoso. Destrói a confiança e retrai a atividade econômica, contribuindo ainda mais com as estatísticas de desemprego. Só para lembrar, o Brasil tem hoje cerca de 14 milhões de desempregados. Parece que ninguém pensa neles, ninguém se preocupa com eles. 

Pense nisto! E como sempre digo: Vamos em Frente! 

 

FOTO – REPRODUÇÃO AGÊNCIA BRASIL